segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vácuo


Vagando pelo universo.
É assim que me sinto.
Entre dois mundos distintos, onde absolutamente nada se encaixa.
Pessoas conhecidas tem faces estranhas para mim, e os estranhos parecem amigos de infância.
Parece que me incompleto, que me perco propositalmente. Quando traço um caminho acabo por desviar. Quando me perco pareço me achar.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Gris

Cada gota de chuva era um suplicio. O barulho do tamborilar era uma canção melancólica de solidão.
A janela embaçada, o céu cinzento, o vento que soprava forte na rua, tudo doía demais dentro daquele coração.
Olhava a porta incessantemente, esperando o barulho na varanda, o ranger do portão.
O relógio tiquetaqueava, como uma risada maléfica e irônica, e ela, ali, sentada no sofá com o copo fumegante de café na mão, só esperava, esperava...
Os olhos, de um verde musgo profundo, eram úmidos de desespero. A boca, fina como uma linha, rígida, desenhava traços sutis de angustia. O nariz, vermelho, denunciava a fraqueza.
Nem mesmo o cachorro suportara a espera. Depois de algumas horas, pacientemente sentado ao lado da dona no sofá, espreguiço-se de mansinho, como que tentando convence-la da inutilidade do ato, e, dando uma última olhada para aqueles olhos verdes e tristes, subiu preguiçosamente a escada, rumo à sua confortável almofada.
Mas ela permaneceu.
Não saberia dizer quantas horas ou quantos dias ficou ali, levantando-se apenas para buscar mais café, ou lavar o rosto. A verdade é que o tempo, imponente e devastador, passou, e quando o momento tão esperado chegou, e a campainha soou alegremente pela casa, seus cabelos, antes rubis, agora eram esbranquiçados, e da juventude restava apenas a esperança.

sábado, 31 de março de 2012

The Doctor

Conheci um Doutor.
Não um doutor qualquer, mas "O Doutor".
Ele não atende em clínicas ou hospitais.
Ele não usa jaleco branco ou estetoscópio, na verdade, ele sequer tem um diploma.
Mas ele sabe como curar.
Sabe como curar sua tristeza, sabe como curar sua falta de esperança e sua desumanidade.
Aliás, ele entende bem disso, pois é, sim, desumano, é maior que isso, embora partilhe de algumas fraquezas.
Ele é o Senhor do Tempo.
Ele está em todos os lugares, em todo o universo, em qualquer época.
A cabine azul está aí para provar...
Ele me ensinou que não devemos julgar, que todos merecem o benefício da culpa, que você não pode viver sozinho e que esperar muitas vezes vale a pena. Ele me ensinou o que é lealdade e o quanto alguém pode ser altruísta.
Ele me ensinou que a renovação é necessária, porém que nosso passado, por mais doloroso que seja, faz parte de nós.
Mas o mais importante: Ele me deu grandes amigos, me fez sentir em casa, mesmo longe.

Docto Who é mais que uma série, é uma lição divertida, leve, familiar e principalmente filosófica do que é a vida.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Noites Mágicas


Existem noites incomuns.
Noites em que coisas inexplicáveis acontecem e de repente tudo muda: sua perspectiva de mundo, a forma como você enxerga outras pessoas e os seus sentimentos.
Noites mágicas, onde as horas voam, e você esquece que o relógio existe. E qndo percebe que o tempo passou e tudo precisa voltar ao normal, só deseja congelar aquele momento.
Nessas noites tudo é possível.
É tudo tão perfeito que você parece nem fazer parte do mundo.
E a saudade aperta sua garganta. Saudade de algo que ainda nem terminou. Saudade do que ainda nem aconteceu.
E no momento em que voltamos para o mundo real só desejamos estar de novo lá, naquela noite mágica.
Ainda existem coisas belas neste mundo. Estas noites mágicas são uma delas.


sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre a dor

“Dor é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional.”



A dor é uma coisa que não pode ser evitada.
É algo que você e eu temos em comum. Mas é diferente pra mim, e é diferente pra você.
Você pode ser mais forte do que eu, pode ter mais sorte do que eu. Mas, acredite, a dor chega ao seu tempo pra todos, do seu próprio modo. O melhor que você pode fazer o melhor que qualquer um de nós podemos fazer, é tentar ser honesto. Sinta a dor, deixe ela entrar, e finalmente, sair de você. Não negue, nem aumente ela. Se perguntarem se você a está sentindo, não responda. Uma pessoa que valha a pena, que conheça você, não pergunta. Ela sabe. Porque a tua dor dói nela. É visível pra ela.
Quando eu era criança, achava que era só na morte que se sentia dor. Hoje sei que dor se sente na vida. A maior prova de que estamos vivos é a dor. A dor da perda. Da mudança. Do vazio. Da derrota.
Quando a dor chegar (de mansinho, ou de repente) lembre que tudo pode mudar (de mansinho, ou de repente). É assim que eu faço. Deixo a dor vir, e imagino a alegria que vou sentir quando ela se for. É assim que eu sobrevivo. É assim que se sobrevive.
Eu e você vamos concordar que a pior parte da dor, é que não temos controle sobre ela. Você pode controlar a hora que acorda, o tempo de academia, pode controlar até mesmo outras pessoas, mas não tem controle sobre a dor.
Mas, a pior parte é no momento em que você acha que superou a dor, e ela vêm te atropelar de novo. E sempre, em algum momento, nos deixa sem fôlego.
Não venha me perguntar qual é a dor que sinto. Se você prestou atenção nos parágrafos acima, sabe que eu não vou responder. Não tente comparar a tua dor com a minha. Não me julgue pela dor que sinto. As pessoas por quem eu sinto mais respeito, são justamente aquelas que admitem suas dores. Porque eu, você, elas, todos sentimos dor, mas eu não tenho medo (e espero que você também) de admitir a dor que sinto. Porque eu vivo.